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o fim da ciência

John D. Barrow
Impossibilidade
Os limites da ciência e a ciência dos limites
Ed. Bizâncio, Lisboa 2005


As estantes estão cheias de livros que dissertam sobre as conquistas da mente e sobre os chips de silício. As pessoas esperam que a ciência lhes diga o que pode e o que deve ser feito. Os governos procuram ajuda dos cientistas para melhorar a qualidade de vida e esperam que esses mesmos cientistas nos protejam de "progressos" anteriores. Os futurólogos consideram que a investigação humana não tem limites, enquanto os cientistas sociais consideram que o monte de problemas que esta suscita nunca mais tem fim. A visão que os média apresentam do futuro da ciência é dominada pelas nossas expectativas de grandes intervenções: a decifração do código genético humano, a cura de todas as doenças físicas, a manipulação dos próprios átomos do universo material e, finalmente, o fabrico de formas de inteligência que ultrapassam a nossa. O progresso humano assemelha-se, cada vez mais, a uma corrida à manipulação, em grande e pequena escala, do mundo que nos rodeia.

(...)

Vivemos em tempos estranhos. Vivemos também em lugares estranho. À medida que investigamos mais profundamente as estruturas lógicas interligadas que suportam a natureza da realidade, acredito que podemos esperar encontrar mais destes resultados profundos que limitam o conhecimento. O nosso conhecimento do Universo tem uma pequena vantagem. Finalmente, talvez cheguemos a descobrir que a vantagem fractal do nosso conhecimento do Universo define o seu carácter com mais exactidão do que o seu conteúdo, que o que não pode ser conhecido é mais revelador do que o que pode sê-lo.

o trono de alice

Matt Ridley
A Rainha de Copas
O sexo e evolução da natureza humana
Gradiva, 1ª Ed., Junho de 2004


Quando um cirurgião faz uma incisão num corpo, sabe o que vai encontrar no seu interior. Se, por exemplo, procura o estômago do doente, não espera encontrá-lo num local diferente em cada doente. Todas as pessoas têm estômagos, todos os estômagos humanos têm aproximadamente a mesma forma e todos se localizam no mesmo sítio.

(...)

Mas depois lembro-me de quanto progredimos desde Hume e de quão mais perto estamos do objectivo de uma compreensão completa da natureza humana do que alguma vez já estivemos. Nunca atingiremos esse objectivo completamente, e talvez seja preferível que nunca o atinjamos. Mas enquanto pudermos continuar a perguntar «porquê?» temos um objectivo nobre.

Stardust


Life begins with the process of star formation. We are made of stardust. Every atom of every element in your body except for hydrogen has been manufactured inside stars, scattered across the Universe in great stellar explosions, and recycled to become part of you.

(...)

I started this book with what may have seemed a metaphor, the idea of life on Earth as stardust, made from material forged inside the stars themselves. I end it with the discovery that this is not a metaphor at all - it is the literal truth. The raw material from which the first living molecules were assembled on Earth was brought down to the surface of the Earth in tiny grains of interplanetary material, preserved in the frozen hearts of comets from the interstellar debris of the giant molecular cloud from which the Solar System formed. Those grains themselves - literally, not metaphorically - formed from material ejected by stars. The 'manna from heaven' that carried the precursors of life down to the surface of the Earth was literally, not metaphorically, stardust. And so are we.

John Gribbin
Stardust: The cosmic recycling of stars, planets and people

The last three minutes


The date: 21 2126. Doomsday.

The place: earth. Across the planet a despairing population attempts to hide. For billions there is nowhere to go. Some people flee deep underground, desperately seeking out caves and disused mine shafts, or take to the sea in submarines. Others go on the rampage, murderous and uncaring. Most just sit, sullen and bemused, waiting for the end.

(...)

If there is a purpose to the universe, and it achieves that purpose, then the universe must end, for its continued existence would be gratuitous and pointless. Conversely, if the universe endures forever, it is hard to imagine that there is any ultimate purpose to the universe at all. So cosmic death may be the price that has to be paid for cosmic success. Perhaps the most that we can hope for is that the purpose of the universe becomes known to our descendants before the end of the last three minutes.

Paul Davies
The Last Three Minutes

superforça

Paul Davies
SuperForça
1ªEd. Gradiva, 1988


Todos gostamos de histórias de aventura. Uma das maiores aventuras de todos os tempos está a desenrolar-se neste preciso instante, no mundo sombrio da física fundamental. As personagens da nossa história são físicos em demanda de um prémio de valor incalculável - nada menos do que a chave para o universo.

(...)

Deveremos então concluir que o universo é um produto do desígnio? A física e a cosmologia modernas abrem-nos uma perspectiva tentadora: a de que poderemos vir a ser capazes de explicar, com base em processos naturais, a totalidade das estruturas físicas do universo. Não deveríamos então ter mais necessidade de um Criador no sentido tradicional do termo. Contudo, embora a ciência possa explicar o mundo, há que explicar a ciência. As leis que tornaram possível o nascimento espontâneo do universo parecem ser elas própria o produto de um desígnio, o universo tem de ter uma finalidade, e a física moderna sugere-me insistentemente que essa finalidade nos inclui a nós.

no meio da vida

Poucos heróis sabem afrouxar os seus ímpetos quando, na plenitude das suas vidas, o triunfo conduz inexoravelmente sempre para a frente, muitas vezes até à autodestruição: Alexandre chorou ao julgar que já não havia mais mundos para conquistar; Napoleão insistiu sempre e acabou por se perder nas profundezas do Inverno russo. Mas Charles Dawin, ao contrário da regra, parou aparentemente após a publicação de A Descendência das Homem. Em vez, portanto, de defender e aperfeiçoar a teoria, escreveu o seu mais obscuro trabalho, um livro intitulado On the Various Contrivances by wich British and Foreign Orchids are Fertilized by Insects, dado à luz em 1862.

(...)

A metáfora estereotipada para a história da Terra é um relógio de 24 horas em que a civilização humana ocupa os últimos poucos segundos, mas eu prefiro destacar o resultado acumulado de efeitos extremamente insignificantes na escala das nossas vidas. Acabámos de completar outro ano e a Terra abrandou mais outro 1/50 000 de segundo, Afinal o quê? Exactamente aquilo que acabam de ler.

Stephen Jay Gould
O Polegar do Panda
Ed. Gradiva

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